- Ano XI - nº 1 (77) - Dezembro 2016/Março 2017.                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A DOENÇA COMO SINTOMA -

Doenças do Aparelho Reprodutor - 2ª Parte

 

Quando a mulher apresenta um quadro de Esterilidade é a maneira mais simplória e objetiva de negar o seu desejo de engravidar e de ser mãe, muitas vezes deterministicamente com o seu parceiro sexual, e não obrigatoriamente em termos gerais de procriação.

Além disso, outras vezes, há na esterilidade uma motivação “desonesta”, inconsciente, que “obriga” a mulher a não engravidar, como se respeitasse a sua feminilidade/maternidade, para ela importantes.

É Dethlefsen e Dahlke, outra vez, que nos lembram que “Uma motivação desonesta é, por exemplo, a esperança de conseguir reter o parceiro a seu lado ou de poder, com base no nascimento desta criança, relegar para segundo plano eventuais conflitos conjugais.”

Em um nível mais profundo, a esterilidade pode simbolizar um sério desconforto na relação afetiva entre a mulher e seus pai/mãe, em que a maternidade, de certa forma, representaria um retorno à condição, explícita principalmente durante a infância, da relação filha/pais, provavelmente não prazerosa e não desejosa de revivência.

Na Esterilidade masculina, da mesma maneira que na feminina, os mesmos aspectos podem estar envolvidos, acrescidos de determinada sensação machista de “fugir” das responsabilidades de pai, emocional e legalmente, quando o relacionamento não é tido como amoroso e duradouro.

Esses aspectos da Esterilidade, tanto masculina quanto feminina, atualmente são pouco “manipulados” pelas pessoas em função da grande difusão e hábito no uso de preservativos, quer físicos ou hormonais, o que simplificou a vida sexual quanto ao aspecto procriação, desejada ou não.

E com a Menopausa, e seu consequente Climatério, novamente a mulher entra em crise existencial com relação a sua feminilidade, agora em face da não mais possibilidade de engravidar, a inexorável esterilidade fisiológica.

Muitos dos sinais e sintomas clássicos na Medicina com relação a esta época da vida da mulher vão depender, fundamentalmente, de como ela conviveu e resolveu as suas inquietudes quanto a sua feminilidade/maternidade. Quanto mais plena tenha sido esta concepção durante a vida, mais tranquila e “normal” é este período da chamada “crise da meia idade”.

Apesar disso, a menopausa baliza uma verdadeira fronteira na mulher de nossa sociedade, sinalizando, delirantemente, também o término de uma fase produtiva, atuante, laborativa, e o ingresso no “horror da velhice” com suas características inexoráveis e irreversíveis. Contudo, não é sempre assim. Há outras realidades.

Michael T. Murray, em seu interessante livro “Menopausa: uma abordagem natural”, nos lembra que “... em muitas culturas a mulher espera pela menopausa, pois ela na verdade traz consigo maior respeito. O fato de se atingir uma idade mais avançada é visto como um sinal de benção divina e grande sabedoria. A visão cultural da menopausa está diretamente relacionada aos sintomas da menopausa. Se a visão da menopausa é amplamente negativa como nos Estados Unidos, os sintomas são bastante comuns. Ao contrário, se a menopausa é associada com pouca negatividade ou vista positivamente, os sintomas são muito menos frequentes.” 

Pelo relato de Michael T. Murray, a doutora Mary C. Martin, do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Ciências Reprodutivas da Universidade da Califórnia, São Francisco, USA, desenvolveu um trabalho de pesquisa extremamente interessante e rico em detalhes, ao evidenciar dados clínicos, laboratoriais, densitométricos e sócio-culturais de população de indígenas, descendentes maias, vivendo em áreas rurais do Yucatán, no México, sendo um grupo na pré-menopausa e outro na pós-menopausa

De acordo com os resultados obtidos, nenhuma das mulheres na pós-menopausa (52 mulheres) sentiu fogachos ou qualquer outro sintoma da menopausa, bem como indícios de osteoporose. Os resultados ocorreram apesar do fato de os padrões hormonais das mulheres maias serem idênticos aos das mulheres americanas que se encontravam nesta mesma fase da vida.

Os autores desta interessante pesquisa atribuem a inexistência de sintomatologia menopáusica à atitude, em termos culturais, das mulheres maias em relação à menopausa. Elas valorizavam e ansiavam pela menopausa, pois traria aceitação e respeito como pessoas idosas, experientes e sábias, bem como o alívio de não terem mais que engravidar e parir, atitudes essas muito diferentes da rotina de vida nas sociedades industrializadas atuais.

Por outro lado, neste período, é relativamente comum nas mulheres “não maias” do resto do mundo, principalmente ocidentais, o aparecimento de tumores benignos (miomas) do útero.

Simbolicamente estas mulheres “engravidam” ao permitir que algo cresça em seus ventres, aguardando, tão somente, a posterior retirada cirúrgica. É a “encenação” total de um parto e da continuação de sua condição de mulher fêmea, “desejável” sexualmente, e ainda capaz de procriar.

O homem, na sua trajetória de vida, também pode exibir manifestações “patológicas” que revelam aspectos profundamente inconscientes na esfera de sua sexualidade, da mesma forma que as mulheres.

E, dentre as várias manifestações de seu simbolismo inconsciente na esfera da sexualidade, a Impotência é, sem dúvida, a mais notória e incomodativa para milhares de homens que “sofrem” desta patologia.

Lembremo-nos, antes de mais nada, que a masculinidade – expressa pela potência sexual - é sinônimo de ação e criação, e fundamentalmente agressiva na sua condição de macho e de líder de seu clã, formado pela fêmea e por suas crias.

Neste contexto, a potência sexual é a representatividade da masculinidade e do poder, e pela qual o homem, o macho, impõe a sua liderança. A impotência manifesta, ao contrário, a falta de masculinidade e, consequentemente, a falta de poder.

E por que esse homem que exibe a sua impotência não se identificaria com a sua masculinidade, impedindo o seu poder e a sua liderança?

Lembremo-nos que toda a individualidade humana é constituída, inconsciente e emocionalmente, da dualidade masculina e feminina, de homem e mulher, predominando em cada indivíduo determinada vertente da dualidade.

Mesmo na predominância de um deles, o ser humano tem nuances masculinas e femininas, quer ele seja homem ou mulher.

A nosso ver, essa impotência manifesta representa, simbolicamente, a não aceitação de sua masculinidade, o que poderia acarretar uma paternidade a que ele não estaria preparado emocionalmente.

Desta maneira, o homem impotente se identificaria mais com os aspectos passivos, submissos a uma liderança não agressiva, como culturalmente moldaram a personalidade feminina.

O mais importante dessas considerações a respeito dos adoecimentos da sexualidade humana é, sem dúvida, o reconhecimento de sua existência e a busca, se assim o desejarem, por uma vida feliz e prazerosa, sem “patologias”, talvez a única “obrigatoriedade” do ser humano dentro de seu livre arbítrio.

 

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