- Ano X - nº 3 (76) - Agosto/Novembro de 2016.                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

A DOENÇA COMO SINTOMA -

Doenças do Aparelho Reprodutor - 1ª Parte

 

Falar de Aparelho Reprodutor é falar de Sexualidade, e falar de Sexualidade é falar da interação masculino/feminino através da dualidade homem/mulher que a China clássica denominava de Yang/Yin, os Alquimistas de Sol e Lua e a Psicologia Profunda chama de Fogo e Água.

E nessa dualidade arquetípica de toda a sexualidade humana não há aspectos mais fortes ou poderosos, mais capazes ou perfeitos. Eles são, simplesmente, diferentes e se completam em que um não “existe” sem o outro. E ambos são “incompletos” quando separados.

A Sexualidade é, antes de mais nada, o pleno exercício da amorosidade através de todos os tipos e possibilidades de se AMAR, inclusive sexualmente, que, através do orgasmo, sintetiza o ápice da conjunção homem/mulher.

Nele a “dualidade” se transforma numa imensa “individualidade”, una, de absoluta e total doação/recepção, recíproca, de AMOR.   

Ao longo da história da Humanidade, contudo, aspectos da sexualidade – principalmente com relação ao ato sexual – foram conceituados como impuros e proscritos da ascensão espiritual do Homem, notadamente no Ocidente através da doutrinação da Teologia Cristã, e que se perpetua há mais de dois mil anos.

Sem dúvida, esses conceitos em nada traduzem ou representam o pensamento e a doutrina filosófica de Jesus, o Cristo, símbolo absoluto do Amor Crístico, o verdadeiro Amor Universal. Simplesmente AMOR.

Em função dessas “impurezas do comportamento sexual”, o ocidental cristão fica surpreso, e até espantado (quase ofendido), quando observa nos templos orientais imagens que considera quase pornográficas ao representarem atos sexuais, inclusive entre os próprios representantes das divindades.

Esses aspectos negativos, conceitualmente pecaminosos da amorosidade sexual ocidental, fatalmente iriam propiciar uma série de manifestações “patológicas” no dia a dia de cada um, propiciando uma variedade imensa de sintomas/doenças que dificultam o bem estar e o prazer de viver de todos nós, ocidentais e cristãos.

Principalmente da mulher, a grande “pecadora”, que, inclusive, foi até expulsa do Paraíso, Eva, junto com Adão, o seu masculino, pelo delito pecaminoso de ter aceitado e comido do fruto proibido (prazer sexual?) e induzido Adão ao mesmo delito. Pelo menos é o que nos conta a Bíblia, em Gênesis ...

E a primeira característica da vida sexual feminina é, sem dúvida, a menstruação, e tudo o que representa na manifestação de sua sexualidade, sexual ou não, consequentemente de sua feminilidade.

A primeira menstruação – a menarca – baliza, inexoravelmente, os limites entre a menina, pura e angelical, e a mulher perecível aos pecados do mundo, ao sexo explícito e, consequentemente, à maternidade.

Desta maneira, podemos simplificar dizendo que a menstruação é, para as mulheres, a expressão mais nítida da feminilidade, da fecundidade e, também, da receptividade à dualidade masculino/feminino.

Há milênios que o livro sagrado dos chineses – I CHING – diz, textualmente, “O caminho da criatividade expressa o masculino, e o caminho da receptividade o feminino”.

É fácil imaginar que distúrbios da menstruação traduzam desequilíbrios afetivos, em que o AMOR – sob todas as formas e direções – está comprometido, pelo menos em termos de “feminilidade/fecundidade/receptividade”.

O primeiro aspecto que podemos considerar é quanto à regularidade e o tempo do sangramento menstrual, que induzem à possibilidade, ou não, de gravidez. E isso porque a menstruação é o indício da não fecundação, com a consequente descamação da mucosa uterina, o que pode ocasionar dismenorréia, uma menstruação dolorosa em mulheres que ansiosamente esperam pela gravidez, símbolo máximo da feminilidade.

Geralmente, antecedendo à dismenorréia, muitas mulheres apresentam a já folclórica TPM – Tensão Pré Menstrual – período em que oferece ao mundo toda a sua insatisfação emocional quanto a sua sexualidade, através de um comportamento irritadiço, ansioso, depressivo, mal humorado, agressivo, em que tudo lhe é desculpável, pois está “naqueles dias”.

Ao contrário, o desejo de não gravidez pode, também, interferir na ansiedade pelo início do fluxo menstrual, não raro "adiantando" o seu início. Além disso, ainda quanto ao desejo de não gravidez, o fluxo menstrual prolongado e abundante pode determinar certo impedimento para a prática do sexo, consequentemente da possibilidade de engravidar. 

A dismenorréia, geralmente, pode traduzir, também, certo “mal estar” quanto à receptividade desta mulher à sua vida sexual, e não apenas um lamento pela não gravidez, traduzido por um desconforto na região genital/abdominal, irritação, ansiedade e mau humor. 

É uma das maneiras pela qual a mulher tenta dizer que o sexo – a vida afetiva -  não está sendo prazeroso para ela.

Ainda com relação a não receptividade por parte de algumas mulheres, existe aquelas que têm uma suspensão do fluxo menstrual (amenorréia) sem gravidez. Pode ser traduzida por medo de sua feminilidade, de sua sexualidade/fecundidade e da própria maternidade. Há, inclusive, um “certo ar” de agressividade ao corpo, numa tentativa simbólica de dominá-lo.

Estes casos não são raros em mulheres que, por escolha profissional ou não, se submetem a regimes alimentares extremamente rígidos e mínimos em calorias com a finalidade de emagrecer, tornando-as verdadeiramente anoréticas em que o próprio corpo perde as características básicas da feminilidade.

Nelas, provavelmente, o seu amor a si próprio e à Vida é menor do que a necessidade de se mostrar um “personagem”, estereotipado e de roteiro pré-estabelecido, quase assexuado, capaz de esconder o “ator/atriz”, este insatisfeito e sem amor.  

Ultrapassada a barreira das menstruações, a mulher pode chegar à gravidez, desejada ou não, e manifestar a sua concordância ou mostrar ao mundo, através dos desconfortos da gravidez, todo o seu medo pela maternidade e/ou da própria feminilidade.

No dizer de Dethlefsen e Dahlke, “problemas durante a gravidez podem revelar, em algum nível, certo grau de rejeição da mãe em relação ao filho. É claro que uma afirmativa como essa vai ser rejeitada de forma mais veemente pela maior parte das pessoas a quem “a carapuça servir”. 

Realmente, é difícil entender, fisiológica e clinicamente, como uma mulher pode ter náuseas e vômitos no início de sua gravidez, quando ainda não há nem “sobrecarga de volume” no abdome para propiciar ao estômago a necessidade de expulsão de seu conteúdo. A necessidade de expulsão é outra. E o conteúdo é outro, também.

Ainda citando Dethlefsen e Dahlke, eles nos lembram que “No fato de vomitar se expressa a resistência inconsciente contra o filho, ou melhor, contra o sêmem do homem que a mulher não quis “incorporar”. Se ampliarmos esse pensamento podemos chegar à conclusão de que os vômitos durante a gravidez também podem ser uma recusa em aceitar o próprio papel feminino e em expressa-lo (maternidade).”

E, ao longo da gravidez, podemos observar nitidamente as diversas possibilidades de reações “patológicas” dessa futura mãe ao sabor de seu inconsciente, da mesma maneira que identificamos – na maioria das vezes, felizmente – a alegria e a plena realização da sua feminilidade através da maternidade. Nestes casos a felicidade é plena e contagiante.

Nos casos de adoecimentos durante a gravidez, para o nosso raciocínio simbólico, se destacam a Toxemia Gravídica (precoce e tardia) e o Parto Prematuro/Pós-Tempo como exemplos de “atrito” na relação mãe-filho, tidos, sempre, como intercorrência normal e estatisticamente previsível numa gestação “normal”.

Tanto a Toxemia Gravídica precoce quanto a tardia são altamente perigosas para a vida do feto, em sendo a tardia também bastante grave para a mãe que pode falecer, junto com o filho. Em ambas, o quadro é de perda de nutrientes para a sobrevivência do feto, além de hipertensão arterial, câimbras (eclampsia da gravidez), mal estar matinal e vômitos.

Através de mecanismos inconscientes a gestante tenta tirar do feto a possibilidade de sobrevivência ao lhe negar os nutrientes necessários (perdas de proteínas pelos rins ou diminuição da irrigação sanguínea placentária). Em muitos casos de sobrevida da Toxemia tardia o feto geralmente nasce muito pequeno, em função de seu estado de subnutrição.

Aspecto interessante é o fato de a Medicina salientar que as diabéticas, as portadoras de patologias renais e as obesas são grávidas mais predispostas à Toxemia Gravídica do que as demais mulheres, em sendo essas patologias, para a Leitura Corporal, intimamente ligadas a pessoas com grande dificuldade de desenvolver relações de afeto, tanto com os outros como consigo própria.   

No Parto Prematuro destaca-se, fundamentalmente, a “necessidade” de a gestante se livrar do feto, o mais rápido possível. Muitas vezes, numa gestação “imposta” por aspectos sociais, econômicos e até familiares, tão logo é solucionado, ou mesmo equacionado o problema desencadeante, a gestante prepara o seu corpo para um aborto ou, dependendo do tempo de gestação, um parto prematuro a partir do sexto mês de gravidez.

Por outro lado, nos Partos Pós-Tempo há uma sensação da gestante de não “perder” o filho, dando-lhe à luz e ao mundo. É como se ele fosse somente seu e, principalmente, representasse a exteriorização de sua feminilidade, da fêmea engravidada. A escolhida.

Em outros casos, a gravidez representa determinado “status” àquela mulher que se envaidece de sua condição, e não “permite” que tudo acabe com o parto. O ideal seria a própria “perpetuação” da gestação, e da sua condição e qualidade de grávida. A gravidez, quase que conscientizado, é o grande "passaporte" de sua valorização. Após o parto, como será a sua vida?  Geralmente terminam em partos cirúrgicos, podendo por em risco a vida tanto do feto quanto da mãe.

 

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