- Ano XI - nº 1 (77) - Dezembro 2016/Março 2017.                                                                Direção: Osiris Costeira

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Dalai Lama - 2ª Parte

 

Dalai Lama, Monge

Apesar de toda a atividade política e diplomática em prol do Tibet,  o Dalai Lama frequentemente diz: "Eu sou simplesmente um monge budista, nem mais nem menos."

Ele realmente segue os preceitos da vida de um monge. Vivendo em uma pequena cabana em Dharamsala, levanta-se todos os dias às 4 horas da manhã para meditar, e cumpre uma atribulada agenda de encontros administrativos, audiências particulares, ensinamentos e cerimônias religiosas. Conclui o dia, sempre, com orações.

De seus conceitos a respeito das religiões, em um fórum sobre a comunhão de fé e a necessidade de união entre as diferentes religiões, ele afirmou: "Sempre acreditei que é muito melhor termos uma série de religiões e várias filosofias, do que uma única religião ou filosofia. Isto é necessário por causa das disposições mentais diferentes de cada ser humano. Cada religião possui certas idéias ou técnicas características, e aprender sobre elas só pode enriquecer a fé de alguém." 

Ao revelar as suas maiores fontes de inspiração, ele normalmente cita seus versos favoritos, encontrados nos escritos do reconhecido santo budista Shantideva:

Enquanto o espaço existir,
enquanto seres humanos permanecerem,
devo eu também permanecer
para dissipar a miséria do mundo.

 

O Dalai Lama cumprimenta monges em reunião de orações

Descrição: http://n.i.uol.com.br/ultnot/album/111130_f_012.jpg

 

A sua rica experiência de vida, aliada à cultura adquirida pelo estudo, marcam sempre a sua presença em palestras no mundo inteiro, em que várias de suas frases e mesmo pensamentos são lembrados e marcados pelos seus ensinamentos. Dentre elas destacamos:

*Creio que a pessoa que teve mais experiência de privações consegue enfrentar problemas com mais firmeza que a pessoa que nunca passou por sofrimento. Portanto, visto por esse ângulo, um pouco de sofrimento pode ser uma boa lição para a vida.

*Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres humanos são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas para satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro.

*Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

*A compaixão e a generosidade devem ser acompanhadas de desapego. Esperar algum retorno é como fazer negócio.

*Uma árvore em flor fica despida no outono. A beleza transforma-se em feiúra, a juventude em velhice e o erro em virtude. Nada fica sempre igual e nada existe realmente. Portanto, as aparências e o vazio existem simultaneamente.

*A felicidade é um estado de espírito. Se a sua mente ainda estiver num estado de confusão e agitação, os bens materiais não vão lhe proporcionar felicidade. Felicidade significa paz de espírito. 

*Melhorar o mundo é melhorar os seres humanos. A compaixão é a compreensão da igualdade de todos os seres, é o que nos dá força interior. Se só pensarmos em nós mesmos, nossa mente fica restrita. Podemos nos tornar mais felizes e, da mesma forma, comunidades, países, um mundo melhor. A medicina já constatou que quem é mais feliz tem menos problemas de saúde. Quando cultivamos a compaixão temos mais saúde.

*Para lidar com o sofrimento é preciso perceber que ele faz parte da nossa vida.

*A essência de toda a vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros.

*Matar animais por esporte, prazer, aventura e por suas peles, é um fenômeno que é ao mesmo tempo cruel e repugnante. Não há justificativa na satisfação de uma brutalidade dessas.

*A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância.

Dalai Lama Político, Monge e Viajante

Desde 1967, o Dalai Lama iniciou uma série de viagens que o levaram a 42 países. Em fevereiro de 1990, foi convidado pelo Presidente Vaclav Havel para ir à Tchecoslováquia, onde divulgaram uma declaração conjunta incitando "todos os políticos a desvencilharem-se de restrições e interesses de grupos públicos ou privados e a guiarem suas mentes por sua própria consciência, sentimento e responsabilidade, fundamentados na verdade e na justiça."

Em 1991, encontrou-se com o Presidente dos Estados Unidos da América, George Bush, Neill Kinnock, o líder britânico de oposição, os ministros das Relações Exteriores da França e da Suíça, o Chanceler e Presidente da Áustria, e vários outros membros de governo estrangeiros.

Em reuniões com líderes políticos, religiosos, culturais e comerciais, como também em grandes platéias em universidades, igrejas ou centros comunitários, falou de sua crença na união da família humana e da necessidade do desenvolvimento de um senso de responsabilidade universal.

O Dalai Lama disse: "Vivemos atualmente em um mundo interdependente. Os problemas de uma Nação não podem ser solucionados muito tempo somente por ela mesma. Sem um senso de responsabilidade universal, nossa sobrevivência está em perigo. Basicamente, responsabilidade universal significa sentir pelo sofrimento de outras pessoas o mesmo que sentimos pelo nosso próprio sofrimento. Eu sempre acreditei num melhor entendimento, numa cooperação mais próxima e num respeito maior entre as várias Nações do mundo. Além disso, sinto que o amor e a compaixão são a tessitura moral para chegar à paz mundial.

Dalai Lama e o Papa João Paulo II, Roma, 1980

Sua Santidade encontrou-se no Vaticano com os papas Paulo VI (em 1973) e João Paulo II (em 1980, 1982, 1986, 1988 e 1990).

Em um encontro com a imprensa em Roma, em 1980, expressou deste modo seu desejo de se encontrar com o Papa João Paulo II: "Vivemos em um período de grandes crises, de desenvolvimentos mundiais turbulentos. Não é possível encontrar paz na alma sem segurança e harmonia entre os povos. Por esta razão, espero ansiosamente por um encontro com o Santo Padre, para trocar idéias e sentimentos, e para ouvir suas sugestões sobre os caminhos para uma pacificação progressiva entre os povos."

Em 1981, Sua Santidade conversou com o Arcebispo de Canterbury, Dr. Robert Runcie, e com outros líderes da Igreja Anglicana em Londres. Ele também se encontrou com lideranças da Igreja Católica e comunidades judaicas, e pronunciou-se em um serviço inter-religioso promovido em sua honra pelo Congresso Mundial da Fé.

Em Outubro de 1989, durante um diálogo realizado em Dharamsala contando com a presença de oito rabinos e acadêmicos dos Estados Unidos, Sua Santidade enfatizou: "Quando nos tornamos refugiados, sabemos que nossa luta não seria fácil; ela levará muito tempo, gerações. Com frequência nos referimos ao povo judeu e à forma como ele manteve sua identidade e fé a despeito de tamanha privação e sofrimento. Quando as condições externas amadureceram, ele estava prontos para reconstruir sua nação. Assim, pode-se concluir que há muitas coisas a aprender com os irmãos e irmãs judeus."

Em 15 de Setembro de 2011 o Dalai Lama chega ao Brasil para a sua 4ª visita que, como sempre em suas viagens pelo mundo, associa aspectos religiosos budistas com a divulgação do pensamento tibetano quanto à vida e as transformações em busca da Paz e da felicidade.

O "Jornal do Brasil", em sua edição digitalizada da Internet, publica reportagem da sua chegada e dos encontros que manteve em São Paulo com empresários, da qual destacamos :

"Vindo de Buenos Aires, na Argentina, com atraso de duas horas e nove minutos, a Sua Santidade o 14º Dalai Lama chegou ao Brasil na tarde desta quinta-feira para realizar uma palestra exclusiva para convidados no teatro do World Trade Center, na zona sul de São Paulo. Com o tema "Nova Consciência nos Negócios - Valores para um Mundo Sustentável - Um Movimento de Transformação", o líder religioso atraiu a presença de empresários e do vice-governador do Estado, Guilherme Afif Domingos, que, sentado na primeira fila, assistiu à palestra ao lado de monges budistas. Em sua quarta visita ao País, a missão do Dalai Lama foi inspirar a reflexão de lideranças empresariais sobre a economia do novo milênio.

Bem humorado, o líder religioso chegou às 16h39 ao palco ladeado por seguranças e por tradutores. A passos lentos, sorrindo, ele disse que chegara quase na hora de dormir e que era apenas um monge budista em meio a muitos empresários.

"Geralmente eu me descrevo como um simples monge budista. Não há nada o que discutir com empresários se eu sou um simples monge budista", brincou. Em sua participação no evento, que durou uma hora, o 14º Dalai Lama pregou o altruísmo e a ética moral para reduzir o fosso entre ricos e pobres no mundo."

Dalai Lama em São Paulo, 2011

Descrição: Imagem relacionada

"Temos de prestar séria atenção para reduzir a lacuna entre ricos e pobres. E vocês (apontando para a platéia de empresários) têm condições de ajudar. Ajudem mais os outros. Se vocês, honestamente, genuinamente, tiverem atitudes mais altruístas, vocês terão mais amigos e mais respeito, mais confiança com demais membros da comunidade. Claro, todos somos egoístas, mas é muito melhor ter um egoísmo sábio do que tolo. E aos industriais, prestem atenção aos problemas da ecologia. Os atentados de 11/9 também aconteceram em função de erros ou sintomas dos erros do século passado. Tudo isso é um sintoma de erros e negligência. Temos de tentar criar e fazer o século 21 o século do diálogo. É impossível eliminar os problemas, mas cabe a nós solucionar sem o uso da força. Uma negociação a partir do diálogo", propôs.

O líder lembrou ainda a crise econômica de 2008 e refletiu sofre as consequências dos problemas mundiais na área. "Temos o desenvolvimento da ciência e da tecnologia que por si só talvez nem sempre podem garantir uma felicidade maior. O dinheiro também não pode manter isso. Por causa do dinheiro temos essa imensa lacuna entre ricos e pobres. O nosso futuro depende da humanidade como um todo, e não dessa ou daquela nação. Portanto, esse conceito "nós" e "eles" é a base do conceito da guerra e da destruição do seu vizinho. mas hoje a destruição do seu vizinho é a destruição de si mesmo", afirmou Dalai Lama.

 

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