- Ano X - nº 3 (76) - Agosto/Novembro de 2016.                                                                Direção: Osiris Costeira

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Dalai Lama

 

Tenzin Gyatso, Sua Santidade o 14º Dalai Lama, nasceu em 6 de julho de 1935, numa família de camponeses da pequena vila de Taktser, na província de Amdo, situada no nordeste do Tibet.

Seu nome era Lhamo Dhondup até o momento em que, com dois anos de idade, foi reconhecido como sendo a reencarnação de seu predecessor, o 13º Dalai Lama, Thubten Gyatso.

Dalai significa "Oceano" em mongol, e Lama é a palavra tibetana para "Mestre" ou "Guru", e várias vezes referido por "Oceano de Sabedoria", um título dado pelo regime mongol a Altan Khan e agora aplicado a cada encarnação na sua linhagem.

O Dalai Lama é o título de uma série de líderes religiosos da escola Gelug do budismo tibetano, em se tratando de um monge e lama, é reconhecido por todas as escolas do budismo tibetano.   Também foram os líderes políticos do Tibete entre os século XVII até 1959, residindo em Lhasa. O Dalai Lama é também o líder oficial do governo tibetano em exílio, ou Administração Central Tibetana.

Em termos espirituais representa as manifestações de Avalokiteshvara ou Chenrezig, o Bodhisattva da Compaixão e patrono do Tibet. Um Bodhisattva é um ser iluminado  que adiou sua entrada no Nirvana e escolheu renascer para servir à Humanidade.

Tenzin Gyatso, o 14º Dalai  Lama

Descrição: Imagem relacionada

 

Dalai Lama, Monge e Político

Da sua historiografia destaca-se que começou sua educação monástica aos seis anos. Aos 23 anos, fez seu exame final no Templo de Jokhang, em Lhasa, durante o  Festival Anual de Orações Monlam. Foi aprovado com honras e recebeu o grau de Geshe Lharampa (título máximo, equivalente a um Doutorado em Filosofia). Em complemento a esses temas budistas, estudou inglês, ciências, geografia e matemática.

Em 1950, com 15 anos de idade, Sua Santidade foi solicitado a assumir a completa responsabilidade política como chefe de estado e de governo, após a invasão chinesa do Tibet. Em 1954, foi a Beijing para conversas de paz com Mao Tsé-Tung e outros lideres chineses, como Chou En-Lai e Deng Xiaoping. Em 1956, durante visita à Índia para participar das festividades do aniversário de 2500 anos de Buda, esteve presente em uma série de reuniões com Nehru, o Primeiro Ministro Indiano, e o Premiê Chou, sobre a situação do Tibet que se deteriorava rapidamente.

 

Dalai Lama recebendo seu título de Geshe,

em Lhasa, durante o verão de 1958.

Descrição: Dalai Lama em 1958

Seus esforços para alcançar uma solução pacífica para o problema sino-tibetano foram frustrados pelas atrocidades da política chinesa, no leste do Tibet, dando origem a um levante popular. Esse movimento de resistência espalhou-se por outras partes do país, e em 10 de Março de 1959, Lhasa, a capital do Tibet, explodiu em um grande levante pela libertação. As manifestações da resistência tibetana exigiam que a China deixasse o Tibet, reafirmando a sua independência.

Quando a situação se tornou insustentável para os tibetanos e com a supremacia chinesa, foi solicitado ao Dalai Lama que saísse do país para continuar no exílio a luta pela libertação. Sua Santidade seguiu para a Índia, que lhe concedeu asilo político, acompanhado de outros oitenta mil refugiados tibetanos.

Hoje há mais de 120.000 tibetanos vivendo como refugiados na Índia, Nepal, Butão e no Ocidente. Desde 1960, Sua Santidade reside em Dharamsala, uma pequena cidade no norte da Índia, apropriadamente conhecida como "Pequena Lhasa", por sediar a sede do governo tibetano no exílio.

Dalai Lama, Político

Em sendo o líder espiritual e político do Tibet, a  permanência do Dalai Lama no exílio acarretou uma série de dificuldades  na liderança de suas atribuições, ao ter que orientar os tibetanos nos aspectos de sua cidadania tibetana e não chinesa, além de sugerir atitudes e sentimentos com relação as suas crenças espirituais e religiosas.

E o mais importante naquele momento era manter a imagem do Tibet e dos tibetanos para o mundo, divulgando e processando a Cultura Tibetana.

Para tanto, fundou 53 assentamentos agrícolas de larga escala para acolher os refugiados, além de  idealizar um sistema educacional tibetano autônomo (existem hoje mais de 80 escolas tibetanas na Índia e Nepal) para oferecer às crianças refugiadas tibetanas pleno conhecimento de seu idioma, sua história, religião e cultura.

Multidão saúda o Dalai Lama

nas ruas de Dharamsala, norte da Índia,

durante cerimônia para marcar seus 50 anos de exílio.

Descrição: Resultado de imagem para dalai lama no exílio

Em 1959 criou o Instituto Tibetano de Artes Dramáticas e o Instituto Central de Altos Estudos Tibetanos se transformou em uma Universidade para os tibetanos na Índia. Além disso, inaugurou vários institutos culturais com o propósito de preservar as artes e ciências tibetanas, e ajudou a restabelecer mais de 200 monastérios para preservar a vasta obra de ensinamentos do budismo, a essência do espírito tibetano.

Em termos políticos, em 1963 o Dalai Lama apresentou o esboço de uma constituição democrática para o Tibet, baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A nova constituição democrática promulgada como resultado desta reforma foi denominada "Carta dos Tibetanos no Exílio". Essa carta defende a liberdade de expressão, crença, reunião e movimento. Oferece também detalhadas linhas de ação para o funcionamento do governo tibetano no que diz respeito aos que vivem no exílio.

Em 1992, Sua Santidade publicou diretrizes para a constituição de um futuro Tibet livre. Anunciou que a primeira e imediata tarefa do Tibet libertado será estabelecer um governo interino com a principal responsabilidade de eleger uma Assembléia Constituinte, para criar e implantar uma constituição democrática tibetana.

Nesse dia transferirá toda a sua autoridade política e histórica para o Presidente interino, passando a viver como um cidadão comum. Ele também afirmou esperar que o Tibet, incluindo suas tradicionais três províncias (U-Tsang, Amdo e Kham), seja federativo e democrático.

Nesse mesmo ano, tibetanos exilados no subcontinente indiano e em mais de 33 outros países elegeram 46 membros da ampliada 11ª Assembléia Tibetana, numa votação direta. A Assembléia, por sua vez, elegeu os novos membros do Gabinete.

Em setembro de 2001, um passo ainda maior para a democratização foi dado quando o eleitorado tibetano elegeu diretamente o Kalon Tripa, ministro-mor do Gabinete, que por sua vez indicou seu próprio Gabinete, a ser aprovado pela Assembléia Tibetana. Na longa história do Tibet, essa foi a primeira vez que o povo elegeu seus líderes políticos.

Pra que tudo isso pudesse acontecer, em Setembro de 1987 o Dalai Lama propôs o Plano de Paz de Cinco Pontos para o Tibet, como um primeiro passo na direção de uma solução pacífica para a situação que rapidamente se deteriorava no país.

Em sua visão, o Tibet se tornaria um santuário, uma zona de paz no coração da Ásia, em que todos os seres conscientes poderiam viver em harmonia, com o delicado equilíbrio ambiental preservado.

A China, até o momento, não respondeu positivamente às várias propostas de paz criadas pelo Dalai Lama.

Em seu discurso aos membros do Congresso Americano em Washington, realizado em 21 de setembro de 1987, o Dalai Lama propôs o seguinte plano de paz, composto por cinco pontos básicos:

  1. Transformação de todo o Tibet em uma zona de paz.
  2. Cessação da política chinesa de transferência de população, que ameaça a própria existência dos tibetanos como povo.
  3. Respeito pelos direitos humanos fundamentais dos tibetanos, bem como de suas liberdades democráticas.
  4. Restauração e proteção do ambiente natural tibetano, e o abandono do uso do território tibetano, pela China, para produção de armas nucleares e como depósito de lixo nuclear.
  5. Início de negociações sérias sobre o futuro status do Tibet e das relações entre os povos chinês e tibetano.

A decisão do Comitê Norueguês do Prêmio Nobel de conferir ao Dalai Lama o Prêmio da Paz ganhou reconhecimento e aplauso mundial. A citação diz:

"O Comitê deseja enfatizar o fato de que Sua Santidade  Dalai Lama, em sua luta para a liberação do Tibet, constantemente se opõe ao uso da violência. Ele, em vez disto, advoga soluções pacíficas baseadas na tolerância e respeito mútuos para a preservação da herança cultural e histórica de seu povo. O Dalai Lama desenvolveu sua filosofia de paz com uma grande reverência por todas as coisas vivas, e um conceito de responsabilidade universal que envolve toda a humanidade e também a natureza. Na opinião do Comitê, o Dalai Lama vem se conduzindo com propostas construtivas e visionárias para a solução de conflitos internacionais, questões de direitos humanos e problemas ambientais globais."

Em 10 de Dezembro de 1989, Sua Santidade aceitou o prêmio em nome de todos os oprimidos no mundo e daqueles que lutam pela liberdade e trabalham pela paz mundial e pelo povo do Tibet. Em suas considerações, disse:

"O prêmio reafirma a nossa convicção de que com a verdade, coragem e determinação como nossas armas, o Tibet será libertado. Nossa luta deve permanecer sem violência e livre de ódio."

Ele também enviou uma mensagem de encorajamento pelo movimento democrático chinês, cuja recente manifestação na Praça da Paz Celestial havia sido alvo de brutal repressão.

 

Dalai Lama recebe o Prêmio Nobel da Paz

Noruega, 10 de Dezembro de 1989

 Descrição: Imagem relacionada

 

"Na China, o movimento popular pela democracia foi subjugado pela força bruta, em junho deste ano. Não acredito que as manifestações foram em vão, porque o espírito de liberdade renasceu no povo chinês, e a China não pode escapar do impacto desse espírito, que sopra em muitas partes do mundo. Os corajosos estudantes e seus defensores mostraram à liderança chinesa e ao mundo a face humana daquela grande nação."

 

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