Admite-se que os indivíduos apresentem padrões funcionais de origem complexa (enzimática, endócrina ou genética) que lhes determinam estrutura física e peso, e que podem sofrer a ação de fatores psicológicos.
Para avaliar o peso ideal de uma pessoa adotam-se critérios subordinados à idade, sexo e estatura. O indivíduo que ultrapasse os limites indicados é considerado obeso. Com frequência, o estudo da personalidade indica a existência de alterações. Neste caso, o excesso de peso manifesta-se como sintoma de desestruturação mais profunda.
Não existe um perfil que caracterize especificamente a pessoa gorda, mas sim uma série de indicações que se repetem insistentemente. Indivíduos que se tornaram gordos já no período correspondente à adolescência revelam, muitas vezes, uma personalidade que se adapta com dificuldade às situações que imponham algum tipo de restrição.
São indivíduos que, não tendo encontrado no período infantil limites à realização de seus desejos, vêem repentinamente que essa condição de onipotência é interrompida pelo término da infância e pela instalação dos estados de maior tensão do período da adolescência.
Verifica-se, então, a insatisfação permanente diante dos desejos que não encontra forma de aplacar. Essas pessoas se tornam, em consequência, passivas e acomodadas, e fazem desse comportamento um mecanismo de defesa que mascara e esconde a sua intensa agressividade.
A ingestão exagerada de alimentos tem o efeito de compensar as frustrações que esses indivíduos desenvolvem ao se relacionarem com o mundo e consigo mesmos. Ao mesmo tempo em que aspiram relacionar-se estreita e afetivamente, receiam e encontram dificuldade em aceitar situações que poderiam escravizá-los ou limitar-lhes a liberdade. Essa complexa forma de relacionamento gera intensa ansiedade, que só é atenuada através da ingestão -exagerada - de alimentos.
Nos últimos cinquenta anos, a vida nas regiões de grande desenvolvimento urbano sofreu profundas modificações. O dia de trabalho mais curto, as máquinas e os eletrodomésticos, as atividades das horas de lazer mais sedentárias (cinema, televisão, computador) diminuíram o gasto energético. Não obstante, os hábitos alimentares não mudaram o suficiente para se ajustar à diminuição das necessidades energéticas.
Os processos de alimentação através dos anos tornam disponíveis os excessos de calorias: os alimentos são menos volumosos e mais fáceis de serem digeridos. Além disso, há maior uso de açúcar e de doces, aliados à força da propaganda e da publicidade de certos tipos de alimentos.
Demonstrou-se, também, que a obesidade pode se apresentar como tendência familiar. Quando um dos pais é obeso, a possibilidade de o filho também ser obeso é de 40%, e essa probabilidade aumenta para 80% se ambos os pais forem gordos.
Talvez exista um componente genético, talvez de deva aos hábitos alimentares da família. É comum a imagem de criança “forte (isto é, gorda) e saudável” que predomina em certas famílias, onde o aumento da ingestão alimentar se transformou numa norma para diminuir a tensão ou os problemas emocionais.
Infelizmente, ainda não conseguimos detectar os genes – se é que existe – responsáveis pela não satisfação pela vida, substituída por vários artifícios, e que se propaga de pais para filhos mais por contiguidade de vida familiar (exemplo de vida) do que por alelos diretamente ligados ao próprio genoma.
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