- Ano XII - nº 1 (80) - Dezembro 2017/ Junho 2018.                           Direção: Osiris Costeira

FITOTERAPIA - Iára Vieira. - iarasovieira@gmail.com

Problemas Mais Comuns na Utilização Indevida de Plantas Medicinais

 

Recebo alguns e-mails de leitores que solicitam receitas a partir de artigos lidos pelos revendedores de fitoterápicos. São produtos idôneos e muitos de procedência comprovada, no entanto o que não aconselho é a automedicação nem o uso indiscriminado dos fitoterápicos.

Procurem um fitoterapeuta que possa fazer a indicação correta e o acompanhamento do tratamento.  Nem tudo que faz bem à uma pessoa será benéfico à outra. O fitoterápico também interage com medicamentos alopáticos, portanto atenção mais uma vez.

Muito se tem comentado atualmente sobre os efeitos colaterais ou indesejáveis provocados por medicamentos sintéticos.

As plantas medicinais e os produtos fitoterápicos têm sido, muitas vezes, propagandeados e divulgados pelos meios de comunicação como um recurso terapêutico alternativo, isento de efeitos indesejáveis e até mesmo desprovidos de qualquer toxicidade ou contra-indicações.

No entanto, os conhecimentos empíricos (medicina popular) e científicos negam estas informações. O mito de que o que é natural não faz mal é, portanto, uma inverdade insustentável.

Para exemplificar, listamos abaixo algumas plantas medicinais muito utilizadas e que, dependendo das circunstâncias e das quantidades empregadas, podem causar danos à saúde: 

a) PLANTAS QUE PODEM CAUSAR DANOS AO FÍGADO:

§  confrei ou consólida (Symphytum officinale L.)

§  cambará ou camará (Lantana camara L.) 

§  sassafrás ou canela-sassafrás (Ocotea pretiosa (Nees) Mez.)

§  maria-mole ou flor-das-almas (Senecio brasiliensis (Spreng.) Less.)

 

b) PLANTAS QUE PODEM CAUSAR IRRITAÇÃO GASTROINTESTINAL:

§  jurubeba (Solanum paniculatum L.)

§  arnica (Arnica montana L.) 

§  ipeca (Cephaelis ipecacuanha (Brot.) A. Rich.)*

§  umbu (Phytolacca dioica L.)  

 

c) PLANTAS QUE PODEM AFETAR O SISTEMA NERVOSO CENTRAL: 

§  cavalinha, cola-de-cavalo ou rabo-de-rato (Equisetum spp.) 

§  losna (Artemisia absinthium L.) 

§  erva-de-santa-maria ou mastruço (Chenopodium ambrosioides L.) 

§  trombeteira (Datura suaveolens Humb. & Bonpl. ex Willd.)

 

d) PLANTAS QUE PODEM PROVOCAR DANOS NA PELE: 

§  arnica (Arnica montana L.) em doses altas (uso externo) – vesicante

§  folhas de figo (Ficus carica L.) – queimaduras sérias

§  figueirilha ou carapiá (Dorstenia brasiliensis Lam.) –  queimaduras sérias 

§  mama-cadela (Brosimum gaudichaudii Trecul) – dermatites de contato 


e) PLANTAS QUE PODEM CAUSAR DIARRÉIAS GRAVES, QUANDO USADAS DE MODO INCORRETO: 

§  babosas (Aloe spp.) 

§  taiuiá (Cayaponia spp.) 

§  sene (Cassia acutifolia Del., C. angustifolia Vahl.) 

§  cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana DC.) 

§  ruibarbo (Rheum palmatum L.) 

 

f) PLANTAS QUE PODEM CAUSAR MORTE: 

§  mamona (Ricinus communis L.) 

§  leandro ou espirradeira (Nerium oleander L.) 

§  maria-mole (Senecio brasiliensis (Spreng.) Less.) 

  

               Ricinus communis                Nerium oleander

Planta de rícino (mamona). Nerium oleander, Oleandro

 

INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS

A pata-de-vaca (Bauhinia forticata) é uma planta popularmente usada contra o diabetes. O chá dessa erva pode causar hipoglicemia no diabético. Sem saber que esse efeito é provocado pelo chá, o médico pode achar que é necessário reduzir a dose dos remédios. Se isso for feito e a pessoa parar de tomar o chá, os níveis de açúcar no sangue podem subir.

Bauhinia forticata

Pata de vaca

 

Cápsulas de alho (Allium sativum) têm efeito antihipertensivo, antitrombótico e antioxidante. São usadas para prevenir doenças cardiovasculares. Mas não devem ser consumidas por pessoas que tomam anticoagulantes orais e aspirina. Uma outra interação muito perigosa: cápsulas de alho podem reduzir a atividade dos antivirais usados no tratamento da aids. 

A erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) costuma ser usada para ajudar a combater a depressão. Muitos pacientes de aids que sofrem de depressão costumam tomar chás dessa erva. Mas atenção: ela também reduz a concentração das drogas anti-HIV no sangue. O tratamento perde eficácia. É ou não é um assunto sério?

Hypericum perforatum

Flores da Erva-de-São-João

O chá verde (Camellia sinensis) é usado como antioxidante e para ajudar a reduzir os níveis de colesterol. Mas não deve ser usado junto com drogas vasodilatadoras coronarianas ou com a teofilina, um broncodilatador pulmonar. 

Camellia sinensis

Resultado de imagem para chá verde

 

O gengibre (Zingiber officinale) ajuda a reduzir náuseas e cólicas. Também estimula a circulação e a digestão. Mas pode provocar fortes reações gástricas. Também não deve ser usado junto com remédios anticoagulantes. 

Zinziber officinale

Zingiber officinale

 

O suco da toranja (Citrus x paradisi), também chamada de grapefruit, contém uma substância que inibe o metabolismo de medicamentos contra a hipertensão. Quem tem o costume de tomar esse suco frequentemente (o que é comum nos Estados Unidos) corre o risco de sofrer uma crise de hipertensão. E, provavelmente, vai culpar os remédios pela falha.

 

RECOMENDAÇÕES ÚTEIS PARA A UTILIZAÇÃO

Não utilizar plantas medicinais durante a gravidez, a não ser sob orientação médica. Existem plantas que podem causar sérios problemas ao bebê e à mãe.

Por exemplo, as babosas quando ingeridas podem provocar aumento da irrigação sangüínea na região do baixo ventre e estimular contrações da musculatura lisa uterina.

 Outras plantas, como a arruda e a salsa, também podem comprometer a saúde da mãe e do feto.

Evitar a utilização de chás laxantes e/ou diuréticos para emagrecer.

 

CONCLUSÃO

O conhecimento profundo da maneira correta de se manipular uma planta medicinal é essencial às pessoas que têm preferência em consumir produtos naturais. A exploração predatória de algumas plantas consideradas “milagrosas” pode colocá-las em risco de extinção quando não se tem preocupação com o cultivo ou com a preservação da planta. 

Todos os processos de cuidados com as plantas medicinais foram analisados, desde o local onde devem ser plantadas, passando pelo preparo do solo, adubação, controle de pragas e doenças, colheita, métodos de secagem, armazenamento e embalagem, riscos no consumo, até como se evitar a deterioração destas drogas. Assim, pôde-se avaliar quantas etapas são necessárias para acarretar a existência de plantas próprias ao consumo, isentas de problemas à saúde. 

Por fim, antes de se utilizar um produto natural é preciso, acima de tudo, conhecer o seu verdadeiro efeito ao organismo, para que uma planta inofensiva não retire o que o ser humano possui de mais precioso: a vida.

 

 

 

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